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Posts Tagged ‘Protestantes’

Os portugueses são bichos interessantes. Sem ofensa, é claro. Num grande inquérito, realizado em 1997, a generalidade dos portugueses demonstrava uma aspiração ao trabalho independente (por conta própria). No entanto, a contradição vinha logo de seguida. Não só preferiam o trabalho nas grandes empresas, como tinham predilecção pelo sector público. É assim mesmo, o empreendedorismo dos portugueses morre na dimensão simbólica. O trabalho por conta própria é socialmente mais valorizado do que o assalariado. Por isso, surge o almejo, a aspiração a ele. Mas este é apenas um instinto social filho das representações impensadas. Na dimensão material, de concretização prática, os portugueses preferem a segurança e a protecção. E por isso socorrem-se de outros atalhos do senso comum, o senso que lhes diz que o trabalho nas grandes empresas e no sector público é mais fiável. Não estão necessariamente errados.

Se nos «tempos modernos» somos impelidos ao empreendedorismo, e se até o desejamos, mas não conseguimos ter esse edge, essa capacidade de sermos inovadores, de arriscar, de [inserir mais chavões], é porque falta alguma coisa. O quê? Eu proponho uma conversão religiosa. Que nos convertamos ao protestantismo. Max Weber lá encontrou uma associação entre a ética protestante e o espírito do capitalismo. Segundo o autor, os protestantes apreendem um conjunto de disposições (aqui dou-lhe um sentido bourdiano) que lhes permitem ter mais êxito na vida profissional (vá lá, nos negócios). Uma verdadeira ética para o trabalho, que está ausente nos católicos. A sua tese será pertinente nos nossos dias? Eu não sei, mas não me importava de arriscar a conversão.

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