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Archive for Agosto, 2009

Na frente?

Quem circula diariamente por Vila Nova de Gaia pode ver, espalhados um pouco por todo o concelho, cartazes de propaganda? política do PSD para as Autárquicas 09. O primeiro cartaz que vi foi o da minha freguesia (Valadares)  e lá estava o slogan «Valadares na frente». Perguntei-me logo “Na frente do quê?”. Qual é o significado objectivo daquela frase? Não vejo em que é que estamos na frente, a não ser no campeonato dos velhotes mais compridos do mundo.

Depois lá vi os restantes cartazes das outras freguesias. Mafamude na frente, Madalena na frente, Santa Marinha na frente…  Estão todas elas na frente de alguma coisa, não se sabe bem do quê. No Porto o slogan é diferente, mas a uniformidade entre as diversas freguesias mantém-se.

Os cartazes são a única forma de os políticos chegarem à maioria dos eleitores. Não tenhamos ilusões. Uma cara, uma frase, um símbolo, são o pouco que muitos têm para decidir em quem votar. Qualquer slogan político é em si mesmo uma mão cheia de nada, ou quase nada. Se nem o slogan é original, ou específico para os eleitores a que se destina, como é que se decide?

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Uma escolha miserável do marketing político do PS.

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Revivalismos

80s Há uns tempos fui a uma sessão de debate sobre “revivalismos” e não liguei patavina. Disseram-se poucas coisas interessantes, e o mais perto que estive de assistir a um espírito revivalista foi quando se projectaram fotos do Porto nos anos 60 e 70. O revivalismo, para mim, é uma revisita do passado, um retorno com novos contornos, uma tentativa de reviver uma experiência, um ambiente, um modo de estar. Obviamente que não se falou de nada disso.

Na altura eu não tinha a consciência de que era, de certa forma, um revivalista. Isto porque gosto de revisitar tempos que não vivi. Música, cinema, arte em geral. Revisito os anos 80 na música e no cinema, mas não os vivi. Nasci a meio da década de 80 e às vezes acho que devia ter nascido em 74 ou 75.  Revisito a época medieval nas feiras medievais de verão, e nas minhas visitas a monumentos, como tanta gente o faz. Revisito o Porto oitocentista nos meus passeios curiosos.

Revisitar é viver?

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Pequeno Revivalismo Musical (5)

“The Captain of Her Heart” – Double

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«Bom, caso tenham estado a viver enterrados num buraco (no gelo! – har har), nós pinguins, sobretudo Eu, o Miguel, o Guilherme e o Gonçalo, estamos deveras insatisfeitos com as nossas vidas. Quero tentar explicar algumas das razões pelas quais isso acontece, de um ponto de vista principalmente pessoal (mas haverá quem se identifique com o que escrevo, mesmo se o ‘estamos’ é só para não estar sempre a utilizar a primeira pessoa do singular); talvez identificar alguns dos problemas nos ajude a combatê-los; mesmo que não, apeteceu-me escrever isto e achei que o devia partilhar convosco. Creio que todos (sim, eu também) somos culpados dos males que se seguem. Sei que todas as questões se ligam umas com as outras; esta foi a ordem possível. Talvez me tenha também esquecido de mencionar alguma coisa. (Ah, espero sinceramente que ao lerem isto não fiquem “ah, agora é que estou mesmo deprimido”.)

Porque estamos Velhos

A sério: quantas vezes vos acontece algo do género de ler, com inveja, que alguém tem 16 anos ou assim e pensar “bom, também só tenho mais… QUATRO anos!?!?”, o que leva imediatamente a “OMFGOMFG&c, sou tão velho! que horror! o que é que aconteceu ao tempo?”. Certamente muitas. A mim também: só de pensar que as irmãs do Guilherme, do Alex e do Berna têm a idade com a qual eu saí do liceu… Sentir-se velho, de vez em quando, é natural; mas nós, por causa da inutilidade das nossas vidas, não temos conseguido lidar bem com a passagem do tempo – como se por não o aproveitarmos não quiséssemos que passasse.

Porque estamos Velhos

Às vezes penso que nas nossas cabeças não somos muito melhores do que há uns anos. Por vezes dou-me conta de que a minha transição da adolescência para a ‘adultidade’ falhou profundamente. Não temos nenhum conhecimento empírico da vida, não adquirimos quase nada com a nossa passagem à idade adulta, não evoluímos. Claro que isto acentua a ideia de “o que é que aconteceu ao tempo?”, o que nos deixa ainda mais deprimidos.

Porque somos Inúteis

Talvez a mais óbvia e abrangente. Nós não fazemos nada. Estamos umas horas na faculdade, estudamos um bocadinho e depois vamos para o computador ou entretermo-nos de qualquer forma estúpida e inane. Não trabalhamos para ganhar dinheiro e experiência. Não estudamos fora do currículo universitário. Não praticamos desporto. Não tocamos música, não escrevemos textos, não vamos a museus, não vamos conhecer pessoas, não vamos passear, não ficamos sequer sentados em qualquer lado a trocar ideias. Desperdiçamos o nosso tempo inùtilmente. Assim, como podemos ter testemunhos, tangíveis ou não, da nossa realidade biopsicotemporal, da nossa vida? É sobretudo por isto que não nos damos conta do tempo passar.

Porque somos Preguiçosos

Bom, queixamo-nos, mas a verdade é que a culpa de estarmos assim é (quase) toda nossa. Não fazemos nada para contrariar isto (ou não o fazemos sèriamente). Repetimos muito, muito mais “temos de….” do que fazemos, realmente, o “….”. Eu queixo-me da fac, mas ainda não me mentalizei para me mudar mesmo. Queixo-me da minha família, mas não tomo decisões assertivas com vista a sair daqui. Talvez tenha a ver com sermos uma data de putos mimados e preguiçosos habituados a que lhes tratem dos problemas. Acho que é forçoso e urgente pararmos com as merdas de “devíamos” e começarmos a agir.

Porque estamos Assim

Estamos assim porque estamos assim? O RLY? YA RLY. Acho que se algum de nós tentasse fazer um esforço para tentar corrigir o que vai mal na sua vida e partilhasse isso com os outros, iríamos por arrasto lentamente melhorar-nos, qual grupo de  ex-toxicodependentes. Infelizmente, nós (todos nós) quase só nos sabemos queixar ou propôr parvoíces que não levarão a lado nenhum, e assim será difícil saírmos deste estado.

Porque estamos Sós

Quando estávamos no lycée, estávamos sempre ao pé uns dos outros. Trocávamos ideias sobre as aulas, partilhávamos as parvoíces que nos passavam pela cabeça, colapsávamos de estupidez… Hoje, passo a maior parte do tempo por mim: não tenho ninguém com quem conversar ou apenas com quem estar – também raramente fizemos novos amigos… Além disso, quando nos encontramos, acho que perdemos um bocado aquela naturalidade que tínhamos na escola, de simplesmente estar ali. Tenho-me dado conta do quanto sinto falta disso, por parvo que pareça.

Porque estamos Sós

Bom, aqui refiro-me à outra solidão. Às vezes não se sentem chateados por não terem ‘namorado/a’? Quando penso no tempo ao qual não tenho intimidade física (e não só: ‘this, that and the other’) com outras pessoas fico realmente pasmado. Mas que raios aconteceu?

Porque a Universidade não presta

Eu tinha uma ideia algo ingènuamente idílica de quando fosse para a universidade: um sítio moderno e cosmopolita, onde se cultivasse e respeitasse o saber, onde se sentisse o poder do conhecimento. Em vez disso, hordas de idiotas estúpidos e barulhentos; professores incompetentes; um campus horroroso; um espaço e uma entidade decadentes e pouco acolhedores. Sinto-me mesmo desiludido com a Universidade em si.

Porque estamos Desiludidos

Já mencionei como a universidade me desiludiu; mas, sinceramente, nada na minha vida é como eu pensava há uns anos. Pensava em estudar algo que me interessasse, vivendo por mim, tenho uma vida interessante; toda a minha situação actual me desilude. Também estou muito desiludido comigo próprio, por tudo isto de que falo e sobretudo por não ter feito nada quanto a isto (um círculo vicioso de inacção).

Porque estamos Sensíveis

Acho que me tornei muito mais sensível à infelicidade. Dantes, podia estar sem fazer nada, podia ter um dia de merda, podia estar ao pé de gente odiosa. Agora, tudo isso me torna chateado ou infeliz ou neurasténico. Talvez por estar mais insatisfeito em geral? É provável que quando me sinta mais bem-disposto, em geral, com a vida isto me passe, mas por enquanto muitas pequenas coisas me indispõem demasiado, o que é muito chato.

Porque estamos Estúpidos

Menciono isto frequentemente: sinto que estupidifiquei imenso desde que entrei para a faculdade. Falta de interesse pelas aulas, falta de trabalho regular em casa (e de vontade de o fazer), falta de amigos ou colegas que nos estimulassem a nos ultrapassarmos.. Sinto que decaí mentalmente: tenho dificuldades de raciocínio, de concentração, de memória, e isso chateia-me imenso. Sei que alguns de vós concordam. Isto, claro, faz com que tenhamos uma má auto-estima, o que não ajuda nada a que tentemos melhorar a nossa situação.

Porque estamos Podres

Bom, este título era mais para manter o estilo. Refiro-me à nossa decadência física. Fazemos muito pouco desporto, e isso, para além de influir negativamente na nossa saúde em geral (incluindo na nossa saúde mental) e de ser outro factor de não-experiência (bom, eu não me posso queixar tanto, sempre tenho umas competições de vez em quando), também nos faz pensar com nostalgia no passado, em que estávamos mais em forma.

Pronto. Lede, catartizai, talvez reflecti, quiçá comentai.

Eduardo Mendonça, CC BY-NC-ND»


texto recebido através duma espécie de spam mail e divulgado aqui porque sim

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