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Archive for the ‘Sociólogos’ Category

bourdieu.jpgPierre Bourdieu foi um eminente sociólogo francês contemporâneo. Escreveu obras sobre vários temas, e em todos eles conseguiu apurar conhecimentos importantíssimos. A sua teoria, desenvolvida ao longo de décadas de pesquisa, e com elevado grau de complexidade, deu-nos instrumentos teóricos preciosos que nos permitem analisar e compreender a realidade social de uma forma anteriormente impossível. Conceitos como habitus, campo, capital, dominação, distinção, violência simbólica, entre outros, constituem o corpo da sua teoria. Seria impossível discorrer sobre toda a teoria bourdiana neste espaço, pelo que lhe dedicarei alguns posts minúsculos nos próximos tempos, e com certeza durante toda a vida deste blogue.

O primeiro apontamento sobre Bourdieu será algo de bastante provocatório para aqueles que acreditam na essência do indivíduo, e no seu valor intrínseco determinado pela natureza ou pela biologia. O desvendamento dos mecanismos sociais ocultos, a desconstrução das condições que permitem a reprodução (e a mudança) de situações e capacidades socialmente construídas e adquiridas através do “conhecido” processo de socialização, enfim, o rompimento com o individualismo metodológico e com o funcionalismo americano, permitem descortinar que existe, de facto, uma estrutura social que determina, em parte, os indivíduos. No fundo, a sociedade está nos indivíduos e estilhaça-se neles. A figura de uma sociedade estilhaçada não quer dizer que ela esteja em ebulição, ruptura ou desagregação. Significa antes que ela chega às pessoas de forma diferente porque cada uma delas vive em condições sociais (económicas, culturais, etc) diferentes. É esta a génese das classes sociais, dos grupos ou categorias, da dominação e da violência simbólica. Pelo menos, é esta a minha concepção. Do mesmo modo, os indivíduos não são autómatos determinados por uma estrutura social rígida. Não existem fronteiras firmes entre as diferentes condições de vida nas sociedades ocidentais modernas, e é por isso que não existe qualquer sujeição total do sujeito à sociedade.

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