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Archive for Janeiro, 2009

Um dos temas que tenho vindo a abordar no decorrer da feitura da minha pequena tese de licenciatura é o do surgimento de valores pós-materialistas nas sociedades ocidentais, após a 2ª Grande Guerra. A minha análise prende-se com os valores sobre o trabalho, mas o pós-materialismo inscreve-se, obviamente, nos vários domínios da vida.

Os valores pós-materialistas são típicos das sociedades mais desenvolvidas, em que o bem-estar físico é um dado adquirido para a generalidade dos indivíduos. Com a sobrevivência assegurada, as pessoas passam a almejar algo mais do que a luta pela manutenção das suas vidas. De igual modo, quando algum bem-estar físico é a regra numa sociedade, os indivíduos que nascem no seu seio tendem a desenvolver perspectivas de vida que ultrapassam a valorização do seu próprio bem-estar. Parece contraditório, mas o aparente desdém para com as atitudes materialistas só é possível porque se vive numa sociedade materialmente forte.

Sucintamente, ser materialista é valorizar a segurança, um emprego com um bom salário, e, grosso modo, o acesso aos bens materiais. Ser pós-materialista é ir além disto, e valorizar coisas como um emprego em que “faço o que gosto”, a expressividade pessoal, e querer atingir a auto-realização.

Uma pergunta que faço é «que pós-materialismo é possível num contexto de crise (objectiva e subjectiva)?» Será que o pós-materialismo dos portugueses se está a retrair? Pessoalmente, julgo que o retraimento das atitudes pós-materialistas será apenas adaptativo, na medida em que o núcleo de valores criado nas últimas décadas não pode ser desmontado assim tão facilmente. O horizonte de valores dos indivíduos só será verdadeiramente afectado com uma crise muito mais forte e duradoura, que todos esperamos que nunca venha a acontecer.

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