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Archive for the ‘Sociologia’ Category

O Mapa dos Valores

http://www.worldvaluessurvey.org

Um mapa-mundo muito interessante que distribui os países em duas dimensões de valores: valores de sobrevivência vs. valores de auto-expressão ; valores tradicionais vs. valores secular-racionais.

Portugal está, curiosamente, mais próximo da América Latina do que da Europa do Norte. Situamo-nos longe dos valores de sobrevivência, mas ainda muito próximos dos valores tradicionais.

Repare-se na importância da religião e do desenvolvimento económico e social para o posicionamento dos países em termos de valores e mundividência. Particularmente interessante é a oposição entre católicos e protestantes.

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12-2-2008-dsc000831Café do PS, em Valadares

Há uns tempos atrás, Pacheco Pereira publicou esta foto no seu blogue. Enviei-lhe a foto porque era uma curiosidade, mas também porque era uma forma de criar uma pequena interacção com um intelectual conhecido da nossa praça.

Recupero-a agora, e edito-a no meu blogue.

É um café/tasca que supostamente está afecto ao Partido Socialista, mas não é propriamente frequentado pelos seus militantes. São homens, para cima da meia-idade,  com rendimentos baixos, e capital cultural fraco, os frequentadores habituais do café. Lá dentro, uma fotografia do Jorge Sampaio na parede, algumas mesas, e uma sala de jogo improvisada nos anexos.

Nunca encontrei mais nada deste género em Portugal, e por isso a curiosidade da coisa. Aqui fica a foto.

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Aplicar inquéritos é uma tarefa comuníssima nas ciências sociais.  Em circunstâncias bastante diversas, os investigadores inquirem o seu objecto de estudo através de perguntas (semi) rígidas e pré-estabelecidas. Conceber um inquérito não é tão fácil como parece, mas aplicá-lo também não.

Estou neste momento a aplicar inquéritos aos trabalhadores do comércio tradicional do Porto.  Entrar na loja, apresentar o nosso propósito, começar o inquérito (ou ir embora, agradecendo na mesma), explicar as perguntas e as possibilidades de resposta, e tentar obter a “melhor” resposta possível do indivíduo. Pelo meio disto, as interrupções e interjeições, os comentários e opiniões, as graçolas de quem chega, o possível desinteresse do respondente, que só nos quer despachar, ou a pressão de ter o patrão à beira enquanto se responde a questões sobre a satisfação no trabalho.

Enfim, um mar de bactérias que infecta a interacção hermética que o inquérito, em teoria,  exige. Mas é tudo matéria para análise, para tirar notas, para aprofundar em futuras entrevistas. Aos 5 minutos de inquéritos acrescentam-se mais 20 minutos de conversa: sobre a situação do comércio tradicional, sobre a crise, sobre os filhos que estão na universidade como nós, sobre tudo.

O inquérito nunca, mas nunca, é feito de forma pura, mas as impurezas também são importantes para a investigação, seja ela de que tipo for.

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Um dos temas que tenho vindo a abordar no decorrer da feitura da minha pequena tese de licenciatura é o do surgimento de valores pós-materialistas nas sociedades ocidentais, após a 2ª Grande Guerra. A minha análise prende-se com os valores sobre o trabalho, mas o pós-materialismo inscreve-se, obviamente, nos vários domínios da vida.

Os valores pós-materialistas são típicos das sociedades mais desenvolvidas, em que o bem-estar físico é um dado adquirido para a generalidade dos indivíduos. Com a sobrevivência assegurada, as pessoas passam a almejar algo mais do que a luta pela manutenção das suas vidas. De igual modo, quando algum bem-estar físico é a regra numa sociedade, os indivíduos que nascem no seu seio tendem a desenvolver perspectivas de vida que ultrapassam a valorização do seu próprio bem-estar. Parece contraditório, mas o aparente desdém para com as atitudes materialistas só é possível porque se vive numa sociedade materialmente forte.

Sucintamente, ser materialista é valorizar a segurança, um emprego com um bom salário, e, grosso modo, o acesso aos bens materiais. Ser pós-materialista é ir além disto, e valorizar coisas como um emprego em que “faço o que gosto”, a expressividade pessoal, e querer atingir a auto-realização.

Uma pergunta que faço é «que pós-materialismo é possível num contexto de crise (objectiva e subjectiva)?» Será que o pós-materialismo dos portugueses se está a retrair? Pessoalmente, julgo que o retraimento das atitudes pós-materialistas será apenas adaptativo, na medida em que o núcleo de valores criado nas últimas décadas não pode ser desmontado assim tão facilmente. O horizonte de valores dos indivíduos só será verdadeiramente afectado com uma crise muito mais forte e duradoura, que todos esperamos que nunca venha a acontecer.

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Coisas da Sociologia

Tenho lido o Socio[B]logue 2.0, e encontrado textos muitos interessantes. O blogue está parado desde 2003. Cinco anos: uma eternidade em tempo blogosférico. Ainda assim encontrei-o, li-o, e gostei.

Aqui fica um dos textos publicados pelo João Nogueira.

A Omnipresença do Olhar: Do Olhar Clínico ao Olhar Sociológico (act)

A partir dos trabalhos de Michel Foucault (1963) e de alguns autores pós-foucauldianos – a expressão não é a melhor, bem sei – sobre a medicina nas sociedades contemporâneas, generalizou-se, na literatura sociológica e historiográfica, o uso das expressões «le regard clinical» ou «le regard médical» – o olhar clínico. Penso, designadamente no trabalho de autores como Bryan S. Turner (1992, 1995), Deborah Lupton (1994), David Armstrong (1994), Paul Atkinson (1995) ou Nick Fox (1993) [consultar adicionalmente os interessantes volumes colectivos organizados por Colin Jones e Roy Porter (1994) e, pouco depois, por Alan Petersen e Robin Bunton (1997)].

Essas expressões são utilizadas, amiúde, com o propósito analítico de desmontar o dispositivo exegético bio-médico que permite o diagnóstico a partir de sintomas superficiais e irrelevantes. De acordo com essa literatura, esse olhar é, sobretudo, um olhar “objectificante”. Um olhar que codifica os corpos e os reduz a objectos de observação.

O olhar sociológico não é diferente. Primeiro estranha-se. Depois, lentamente, entranha-se. E não é pouco. Onde eu via vizinhos, vejo hoje “relações sociais de vicinato”. Onde eu observava ricos e pobres, observo hoje “sistemas e estruturas de classe” e “grupos de status”. As conversas sobre afectos transformaram-se em “discursos da conjugalidade e de sexualidade”. Para onde quer que olhe vejo uma realidade codificada: campos, sistemas, esferas, actores, sujeitos, agentes, discursos, narrativas, economias de bens simbólicos, etc. Enfim, uma construção sociológica da realidade: uma matriz de (re)interpretação dessa realidade.

E não é, advirto, apenas uma mera questão de substituição de “expressões”. Longe disso. Sempre que entro no metro entretenho-me a analisar as “estruturas proxémicas e quinésicas” dos passageiros e a desconstruir os seus “projectos de corporeidade”. Quando participo em conversas dedico-me a desmontar as “para-linguagens” e o uso de “recursos seguros” por parte dos meus interlocutores. São disposições incorporadas. Faço-o “automaticamente” e sem uma intenção deliberada de o fazer. E é nesses momentos que o meu superego sociológico – sim, ele existe – começa a actuar forçando a reflexividade sobre as minhas acções… É então que me ponho a pensar que este olhar não é menos objectificante que o olhar clínico e me apercebo das (muitas) similitudes entre os dois dispositivos exegéticos.

Este “olhar” é, ademais, quase omnipresente… e reflexivo (ou auto-reflexivo). Daí que produza, com inusitada frequência, textos como este em que desconstruo o “olhar sociológico” recorrendo, para o fazer, ao meu “olhar sociológico”. Enfim, são, como diria Raymond Boudon, os “efeitos perversos” do meu processo de incorporação da sociologia.

Armstrong, David (1994), «Bodies of Knowledge/ Knowledge of Bodies», in Colin Jones e Roy Porter (eds.) (1994), Foucault: Power, Medicine and the Body, London: Routledge.
Atkinson, Paul (1995), Medical Talk and Medical Work: The Liturgy of the Clinic, London: Sage Publications.
Foucault, Michel (1963 [1993]), Naissance de la Clinique, Paris: Quadrige/ PUF .
Fox, Nick (1993), Postmodernism, Sociology and Health, Buckingham: Open University Press.
Jones, Colin e Roy Porter (eds.) (1994), Foucault: Power, Medicine and the Body, London: Routledge.
Lupton, Deborah (1994), Medicine as Culture: Illness, Disease and the Body in Western Societies, Londres: Sage Publications.
Petersen, Alan e Robin Bunton (eds.) (1997), Foucault, Health and Medicine, London: Routledge.
Turner, Bryan S. (1992), Regulating Bodies: Essays in Medical Sociology, London: Routledge.
Turner, Bryan S. (1995), Medical Power and Social Knowledge, London: Sage Publications.

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Tenho reparado em alguns “confrontos” entre portugueses e brasileiros na Internet. Basta fazer umas pesquisas pelo youtube e ver os comentários e diálogos que se geram entre pessoas das duas nacionalidades. Também temos um bom exemplo se acedermos a alguns fóruns, blogues, ou chats. No fundo, qualquer plataforma que permita a troca de palavras entre portugueses e brasileiros é um bom local para encontrar racismo, ódio, e preconceito.

Os estereótipos são as principais armas de arremesso. Os portugueses são burros e velhos. Um povo racista e pouco humilde. As portuguesas são feias, gordas, têm bigode, e corrimento vaginal (esta pérola anda por aí). Os brasileiros são burros e atrasados. Um povo miserável que só liga ao samba e ao Carnaval. As brasileiras são prostitutas.

Os povos irmãos odeiam-se. Como dois bons irmãos, pois claro.

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Tribo indígena

Foi descoberta uma tribo indígena na Amazónia. A tribo foi fotografada a partir de um avião, e os seus membros reagiram ao “monstro voador” disparando flechas e lanças. É das últimas tribos perdidas nesta região do nosso planeta.

Devemos contactá-los, estudá-los, e, inevitavelmente, mudá-los? Ou deixá-los em paz, simplesmente?

(Imagem via lugar do conhecimento)

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