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Archive for Abril, 2008

Frank Zappa

Um documento interessantíssimo. Frank Zappa discute com um ultraconservador americano (e é alvo de alguma imparcialidade dos próprios moderadores do debate) no programa Crossfire, em 1986, sobre uma hipotética censura das letras, imagens, sons e movimentos da música rock.

O fanatismo foi derrotado. Hoje em dia os americanos aceitam “muito pior” do que o que estava em causa naquele tempo. Nessa altura, não sabiam os fanáticos que o seu conservadorismo exarcebado contribuía amplamente para a magia deste movimento cultural, e para o seu sucesso. O contrapeso do conservadorismo, que se vê na postura obstinada e incomodada daquele John Lofton, era o móbil dos que não se subordinavam a uma matriz moral castradora. Os jovens alimentaram-se da magia e o universo cultural americano transformou-se.

Um dos vídeos mais criticados foi este. Os nossos olhos estão moldados para não ver nada de mau neste vídeo. Pelo menos, se a frase anterior não for verdadeira, é muito provável que não o achemos matéria de censura. É por isso que encontramos qualquer coisa de ridículo naqueles homens cinzentos. Separa-nos o tempo, para além do espaço. Zappa, esse, era já intemporal.

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Uma das minhas músicas preferidas do reportório de Abril. «Acordai», de Fernando Lopes-Graça.

Via Arrastão

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Os portugueses são bichos interessantes. Sem ofensa, é claro. Num grande inquérito, realizado em 1997, a generalidade dos portugueses demonstrava uma aspiração ao trabalho independente (por conta própria). No entanto, a contradição vinha logo de seguida. Não só preferiam o trabalho nas grandes empresas, como tinham predilecção pelo sector público. É assim mesmo, o empreendedorismo dos portugueses morre na dimensão simbólica. O trabalho por conta própria é socialmente mais valorizado do que o assalariado. Por isso, surge o almejo, a aspiração a ele. Mas este é apenas um instinto social filho das representações impensadas. Na dimensão material, de concretização prática, os portugueses preferem a segurança e a protecção. E por isso socorrem-se de outros atalhos do senso comum, o senso que lhes diz que o trabalho nas grandes empresas e no sector público é mais fiável. Não estão necessariamente errados.

Se nos «tempos modernos» somos impelidos ao empreendedorismo, e se até o desejamos, mas não conseguimos ter esse edge, essa capacidade de sermos inovadores, de arriscar, de [inserir mais chavões], é porque falta alguma coisa. O quê? Eu proponho uma conversão religiosa. Que nos convertamos ao protestantismo. Max Weber lá encontrou uma associação entre a ética protestante e o espírito do capitalismo. Segundo o autor, os protestantes apreendem um conjunto de disposições (aqui dou-lhe um sentido bourdiano) que lhes permitem ter mais êxito na vida profissional (vá lá, nos negócios). Uma verdadeira ética para o trabalho, que está ausente nos católicos. A sua tese será pertinente nos nossos dias? Eu não sei, mas não me importava de arriscar a conversão.

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Não se pretende fazer uma sociologia do génio futebolístico, mas construir, antes de mais, um pequeno comentário às teses do dom, e do natural talento para «jogar à bola».

Lembro-me de, numa das primeiras aulas do curso, uma professora minha ter feito um comentário paralelo à matéria em que demonstrava uma salutar irritação com os comentadores de um jogo de futebol. Ficou irritada não porque os comentadores estavam a ser parciais ou a dizer disparates sobre o jogo em si, mas porque não paravam de dizer que o Deco era “um génio”, “um talento”, que aquilo de jogar tão bem à bola lhe “estava no sangue”, ou pior, “nos genes”.

Quando o principiante em sociologia é «socializado» no combate aos obstáculos epistemológicos (a saber: naturalismo, etnocentrismo, e individualismo) acaba por se irritar, às vezes, com alguns discursos exteriores à ciência. O mesmo acontece com os sociólogos de profissão mais imbricados nas questões epistemológicas. Ora, o senso comum está recheado de discursos em que pululam noções naturalistas, etnocêntricas, ou individualizantes (no sentido em que explicam o social pelo individual) sobre a realidade social.

O caso da naturalização do génio da bola é paradigmático disso mesmo. Acreditará o leitor que as capacidades e performances do Cristiano Ronaldo (CR), o talento mais recente, lhe estão no sangue, nos genes, ou até, enfim, na combinação frutuosa e relativamente aleatória da cambalhota reprodutiva dos seus pais, que produziu um ser biologicamente formatado para jogar futebol?

E os contextos e trajectórias sociais do CR? As suas próprias escolhas ao longo da vida, que são sempre influenciadas socialmente, e que foram confrontadas com contextos e quadros de interacção específicos? E os momentos cruciais na vida que separam o sucesso do fracasso e que podem arruinar “talentos” de forma precoce? Descendo à esfera do conhecimento “real” sobre o nosso objecto, sabemos que o CR jogou futebol desde a infância e de forma bastante militante; sabemos que tinha familiares ligados ao futebol; sabemos que interiorizou uma ideologia de trabalho intenso em relação ao futebol, treinando mais do que os outros, fazendo “horas extras” no ginásio, etc. CR fez-se enquanto «génio da bola» ao longo de uma vida ligada ao futebol de forma quase exclusiva. Só este facto serve para chutar para canto a tese do dom.

CR é um caso singular, é certo. Vários atletas em condições idênticas não são “os melhores do mundo”. Mas uma singularidade não é fruto do divino, nem é fruto de um dom inato e natural. O sucesso, a grandeza, e o génio constroem-se em sociedade, e nos passos que nela se dão.

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Noites de Sociologia

«O Grupo de Estudantes de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto está a promover a 16ª edição das Noites de Sociologia, intitulada REMEXER NO BAÚ – REVIVALISMOS PRESENTES.

Com um leque de convidados das mais diversas áreas, propomos um debate em torno dos impactos dos revivalismos presentes em várias esferas sociedade contemporânea.

As noites de Sociologia terão lugar nos dias 16 e 17 de Abril, às 21.30h.

Dia 16 de Abril – Clube Literário do Porto
Convidados:Álvaro Domingues ( Geógrafo) ; Emília Araújo ( Socióloga); Juliana Cerdeira_Miau Frou Frou ( Estilista); Rui Mealha ( Arquitecto)

Dia 17 de Abril – Anfiteatro Nobre da FLUP
Mostra audiovisual de Rodrigo Areias
Debate com: João Vieira_Dj Kitten |X-Wife ( Músico);
Paula Guerra ( Socióloga ); Rodrigo Areias ( Cineasta)»

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Em Bourdieu, o espaço social é um espaço virtual teórico onde se organizam as diferenças sociais. É nele que se articulam as posições sociais dos agentes (indivíduos) com as disposições (habitus) e as tomadas de posição (práticas). As diferenças e distâncias no espaço social são relacionais. Quer isto dizer que elas só existem umas em relação às outras, e não de forma absoluta.

A posição no espaço define-se pela incorporação de dois capitais fundamentais, embora existam outros na teoria bourdiana. São eles o capital económico e o capital cultural. Assim, conseguimos encontrar correspondências entre a “posse” destes capitais e as práticas efectivas: gostos, consumos, “decisões” dos indivíduos. São os habitus que intermedeiam a relação entre uma posição e uma acção social. Isto porque face às mesmas condicionantes sociais, pela posição, se produzem habitus idênticos, predispostos a tomar o mesmo tipo decisões.

O espaço social define-se em três dimensões: capital global (capital económico + capital cultural) no eixo vertical; peso relativo dos dois capitais (+/-) no eixo horizontal; e por fim, o eixo temporal, que prevê a trajectória dos sujeitos no espaço social.

Podemos perceber isto de forma menos teórica (e anafada) no esquema que se segue. (clicar para ver maior)

É deste modo que Bourdieu concebe as classes sociais. Não enquanto classes reais, no sentido marxista, com objectivos comuns e com indivíduos mobilizados para os atingir, mas como classes teóricas que têm a potencialidade de se tornaram reais em certos momentos. Negar a existência de classes sociais é, em última análise, “negar a existência de diferenças e de princípios de diferenciação”. Espaço social é sinónimo de espaço simbólico, espaço de lutas, um local teórico de diferenças objectivas e subjectivas.

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La Lys

Hoje, na montra de um alfarrabista do Porto, encontrei bastantes documentos em exposição sobre esta batalha da Primeira Guerra Mundial. Telegramas, jornais, fotografias, livros, entre outros, faziam uma montra cheia de História. Por isso hoje recordo essa Batalha. Portugal foi derrotado de forma estrondosa pela Alemanha, tendo perdido cerca de 7500 homens em poucas horas: cerca de um terço do efectivo português.

Foi a 9 de Abril de 1918. Flandres, Bélgica. Presto uma homenagem aos mortos, não porque sinta especial emoção, mas porque a História deve ser recordada.

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